Personalidade do mês, Leudicy Leão

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Chocopeba: Conte um pouco da sua história.

Leudicy Leão: Sou paraense nascida em Belém. Vim para Carajás em 1988, comecei de fato a trabalhar na Vale em junho de 1989, quando ainda era Companhia Vale do Rio Doce. Eu e mais duas amigas fomos as primeiras mulheres técnicas no projeto. Passei quatro anos no Maranhão, já estive um período em Vitória e acabei retornando a Parauapebas. Sou de uma família humilde, meus pais completarão 50 anos de casados. Respeitamos e consideramos a instituição família, algo de extrema importância, pois fui criada dessa forma. Meu filho e minhas filhas nasceram aqui na região. Duas moram fora de Parauapebas, uma mora fora do Brasil e tenho uma que mora comigo, e o Beto que estuda aqui, faz engenharia. Temos Parauapebas como um berço, uma cidade que se tornou minha de coração. Embora tenha nascido em Belém, Parauapebas me deu muitas oportunidades. Sou formada em administração e gestão empresarial, pós-graduada em engenharia de produção e continuo estudando, o que não deixa de ser uma forma de a gente estar sempre se aperfeiçoando.

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Chocopeba: Você se preparou para assumir a secretaria? O que lhe credencia para tão árdua tarefa?

Leudicy Leão: Pra mim a gestão pública é um desafio, porque venho da iniciativa privada. Pra nós está sendo um aprendizado. Todo dia é um dia de aprender um pouco mais com a gestão pública. Tenho me esforçado pra isso, estudado bastante sobre gestão pública e isso tem me ajudado muito. Estive à frente da Secretaria de Assistência por dois anos e fui convidada há 4 meses para assumir a Secretaria de Administração. É um desafio novo. É uma secretaria de extrema importância, que tem relacionamento com todas as outras. Detemos muita informação e é uma secretaria também que tem condições de dar apoio ao governo, à prefeitura, lógico que dentro da nossa filosofia.

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Chocopeba: Existe a necessidade de que os internautas saibam qual é a função específica da Secretaria de Administração, conte-nos qual é.

Leudicy Leão: A função específica da Semad é dividida em dois polos, um deles a gestão de pessoas. Somos responsáveis pela folha de pagamento, benefício, férias, concurso, tudo passa por aqui. O outro polo é a coordenação de contratos dos mais diversos tipos dentro da prefeitura. Então, no nosso trabalho a gente tem uma interação com todas as outras secretarias. Além disso, tem o trabalho de almoxarifado e compra central. Outro desafio é que já estamos trabalhando o arquivo público municipal, que está sendo implantado. Porém, hoje defino a secretaria com essas duas vertentes.

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Chocopeba: Quais foram os desafios encontrados por essa gestão? O que já foi feito e que melhorias você já trouxe para a população?

Leudicy Leão: Hoje a gente tem um desafio enorme que não é só da Semad, é da prefeitura como um todo, que é a questão da redução da arrecadação municipal. Isso tem nos trazido muitas reflexões, principalmente em relação à folha de pagamento. Hoje a gente tem trabalhado para ajudar, para dar alternativas sem deixar que a máquina pare, mas também que a gente não tenha o custo elevado. Por isso, tivemos que reduzir os custos, tomamos algumas atitudes pautadas nisso, como a otimização de carros, de motoristas e redução de linhas telefônicas. Verificamos todos os postos para ceder apenas a demanda necessária, se duas ou três pessoas poderiam fazer o serviço. Tudo isso está sendo monitorado. Precisamos realmente enxugar para que a gente possa dar uma resposta melhor para a população. A gente está tentando causar o menor prejuízo possível à gestão.

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Chocopeba: A redução tributária de Parauapebas é tida por muitos especialistas como o prenúncio do fim do minério. Como Leudicy encara isso?

Leudicy Leão: Eu, independente de gestão pública, vejo que Parauapebas precisa ter alternativas de renda. Acredito que a gente vai ter que trabalhar fortemente em cima disso, porque a única certeza que temos sobre isso é que o minério um dia vai acabar, e temos que ter isso em mente. Hoje eu sempre brinco que quando a Vale dá um espirro Parauapebas morre de pneumonia, pois tudo que acontece lá reflete aqui, e muito pior. Por exemplo, recentemente a Vale dispensou cerca de 600 funcionários e o reflexo que isso teve no comércio foi enorme.

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Chocopeba: Teve algum trabalho específico realizado na Semas que chamou a atenção Do seu Valmir para que fosse lhe confiado esse cargo?

Leudicy Leão: Acho que o fato de eu já ter trabalhado com a parte administrativa dá um respaldo e eu gosto muito de números. Sou uma pessoa muito realista, gosto de trabalhar com fatos e dados. Quem trabalha comigo sabe disso, pra mim eu tenho um relatório, tenho metas, tenho objetivos. Eu organizo a minha equipe, e ela já sabe como é meu modelo de trabalho: Você pode trabalhar, você tem liberdade para trabalhar, porém quero resultado. Isso é importante, o gestor definir planejamento.

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Chocopeba: Seu cargo deve receber muita cobrança. Como você lida com isso? Você procura escutar orientações para a execução do seu trabalho?

Leudicy Leão: Gosto de sempre estar orientada. Sempre procuro escutar os funcionários, a equipe, os servidores. Acontecerá agora um torneio esportivo entre as secretarias. Então nós ouvimos todas elas, como elas achavam que deveria ser e nós montamos o projeto em conjunto, em equipe.

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Chocopeba: Houve muitas mudanças no quadro da sua secretaria? Como os antigos funcionários lhe receberam?

Leudicy Leão: A Semad é uma secretaria muito técnica e a maioria do quadro hoje é formada por concursados. Tem algumas pessoas que trocaram devido a determinadas necessidades, mas a grande maioria é de efetivos, e por isso a gente não teve como mudar muitas pessoas.

Chocopeba: Qual é sua filosofia de trabalho?

Leudicy Leão: Na minha gestão, trabalho com prazo, com meta. Gosto muito dessa história de planejamento. Trabalho com números, gosto de trabalhar com fatos e dados. Sou da filosofia de que contra fatos e dados não há argumentos. Não tomo decisões com base no “achismo” e isso tem nos ajudado bastante. Também sou da ideia de que a gente tem que valorizar as pessoas, colocar as pessoas no lugar certo. Às vezes o funcionário está ali no almoxarifado e o sonho dele era estar aqui na CTRH. A gente tenta na medida do possível trabalhar para que isso aconteça. Acho que ninguém consegue nada sem trabalhar. Minha equipe até fala que eu trabalho demais.

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Chocopeba: Deixe sua mensagem para nossos amigos internautas. Diga o que eles podem ainda esperar de melhorias do governo para os próximos anos.

Leudicy Leão: Eu acredito que a gente sempre tem que ter esperanças, é uma coisa que a gente nunca pode deixar de ter na vida. Confio muito no prefeito. Acredito que ele tem todas as condições administrativas de gerir e transformar a cidade do jeito que ele sonhou. Parauapebas tem que ser pensada daqui a 10, 15, 20 anos. Mesmo com todas as situações criadas, não tenho dúvidas de falar que Valmir foi o que mais fez obras em tão pouco tempo. São 15 escolas inauguradas, creches, postos de saúde, os postos quase todos reformados. Então, a gente sabe que esse trabalho de dois anos mostra a capacidade dele. Sei que muita coisa precisa melhorar, a comunicação, por exemplo, e precisamos também chamar os parceiros. Estamos aqui para ouvir todo mundo. A gente só constrói quando todos participam. Temos trabalhado muito para ajudar, muito mesmo. A ideia é realmente deixar um legado para Parauapebas. Queria agradecer muito aos funcionários, aos servidores públicos, ao pessoal da imprensa que sempre tem nos ajudado a construir isso, porque uma crítica construtiva é melhor do que muitos elogios. E digo mais: precisamos olhar Parauapebas com carinho, como uma cidade do futuro, uma cidade que escolhi para viver. Enquanto continuarmos olhando Parauapebas como uma cidade de passagem, ela nunca vai ter o amor que merece. Então, o recado que eu quero deixar é esse: olhe para Parauapebas como a cidade que escolhi para viver.

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