Simão Jatene descarta aliança com família Barbalho na eleição de 2018

jatene governado do Pará chocopebaO governador Simão Jatene (PSDB) descartou, em entrevista exclusiva ao repórter Ronaldo Brasiliense, qualquer possibilidade de alianças com a família Barbalho na eleição de 2018 e antecipou que seu grupo político terá candidatura própria ao governo do Pará ano que vem. “Não há hipótese de aliança com essa gente”, afirmou Jatene. Veja, e leia, a entrevista, na íntegra:

Por Dentro  – Só para deixar claro. Saiu uma notícia que o senhor teria sido chamado em Brasília para uma reunião com o senador Aécio Neves e que lá teria sido definido que em 2018 haverá uma aliança do PSDB com PMDB na eleição presidencial e aqui no Pará o senhor teria a obrigação de apoiar o candidato do PMDB, lançando o vice. Isto existiu?

Jatene – Primeiro, eu jamais ficaria em um partido em que me desse a obrigação de fazer algo desse tipo. Vou ser muito franco: a sociedade acho que me conhece um pouco para saber que não existiu essa reunião. Eu entendo que isso é o esforço daqueles que têm um completo desespero, continuam em pânico tendo como seu projeto chegar ao governo de qualquer jeito. Se para isso for necessário enganar a população, vão criar boatos, vão forjar… Já disseram até que eu estou inelegível, vou ficar inelegível. Eu não sei porque tanto medo.

Por Dentro O senhor é candidato ao Senado? É o que eles estão com medo, né?

Jatene – Eu vou ser candidato àquilo que a sociedade achar que devo ser e a legislação permitir. Então significa que eu posso ser candidato a deputado estadual: não tenho nenhuma vaidade se alguém imagina assim: a, ele é governador, não vai querer nunca ser deputado estadual. Tenho o maior respeito pelos deputados estaduais. Seria candidato a deputado estadual. Candidato a vice-governador? Não tem nenhum problema, eu posso ser candidato a vice-governador. Candidato a Senador? Se esse for o desejo da população, serei candidato a Senador. Ou candidato a cuidar dos netos, que também é uma coisa nobre… Está certo, e eu posso também ser candidato a cuidar dos netos. Agora, não queiram é dizer que, não sei por que razão – e eu acho que é impressionante isso – como se não o Jatene não vai estar no processo político, o Jatene não quer mais saber de política.. Não sei porque essa história.

Por Dentro  – O senhor vai estar no comando de sua sucessão?

Jatene – Eu estou com 70 anos – quase já – faço política desde o tempo de ginásio, científico, sempre participei e acho que a atividade política é importante. Que fique claro: eu nunca me coloquei como UM ser que só faz política. Isso não. Eu fui professor com muito orgulho e ainda me considero, acho que a gente nunca deixa de ser professor. Eu fui músico, com muito orgulho, e ainda me considero um músico, com muito orgulho. Servidor público por toda a vida. Agora, em todos esses momentos da minha vida eu procurei fazer política. Política no sentido de entender que o homem tem dois mecanismos para resolver conflito: ou é pela política ou é pela guerra. Como eu aposto na paz, eu prefiro que seja pela política. Isso é que me preocupa inclusive no momento que nós estamos vivendo, que alguns políticos por terem enriquecido à custa de recurso público, por terem se utilizado, na verdade, do público ao invés de servirem ao público, criaram no seio da sociedade a ideia equivocada de que, alguns inclusive aqui no Estado tem tentado fazer isso, é colocar todo mundo no mesmo nível, ou seja, todo mundo é igual. Pra mim é por aí que passa essa história de cassação do Jatene, de processar o Jatene, tentar essas coisas todas que a gente pode até tocar.

Por Dentro  – Derrotados nas urnas em 2014, os Barbalhos estão querendo ganhar um terceiro turno no “tapetão?”

Jatene – Não é isso não, não é nem só isso. Acho que querem duas coisas. Primeiro querem me nivelar. Eu já disse mais de uma vez: Não tentem me medir pela régua deles. A régua deles é uma outra, não é uma régua que é capaz de nos medir. Então, primeiro é me nivelar. Por quê? Porque isso cria uma confusão na cabeça da população. Se todo mundo é igual, se todo mundo é bandido, se todo mundo não sei o quê, então paciência. Não é isso não. É importante que a sociedade saiba que somos diferentes.

Por Dentro  – Os Barbalhos querem fazer crer que todos os políticos são iguais?

Jatene – Este é talvez o maior desserviço que alguém possa prestar para o político, porque isso inclusive tem uma consequência grave. É afastar cada vez mais as pessoas de bem da política. Porque os homens de bem passam cada vez mais a temer, dizer porque é que eu vou entrar? Botar na minha vida um negócio desse, e me expor, expor minha família? Então eu acho que esta é a política do vale-tudo que alguns só conseguem fazer desse jeito.

Por Dentro  – A política de nivelar todos por baixo?

Jatene – Exatamente! Este é o primeiro objetivo deles: nivelar por baixo, porque se está todo mundo igual… Olha, todo mundo é processado, todo mundo é bandido, todo mundo é isso, todo mundo é aquilo outro, então essa é uma razão que eu entendo… esse esforço desse grupo. Todo mundo sabe que somos campos opostos, que somos diferentes, que temos sonhos diferentes, que temos projetos diferentes para esse Estado, está certo?

Por Dentro  – Tem como comparar?

Jatene – Eu sempre digo o seguinte: compara a minha vida, compara o que eu tenho. Tive cargos importantes na época do governo Almir Gabriel, estive governador por dois mandatos e estou no terceiro mandato. Sempre trabalhei na vida.. É só pegar o que eu tenho e comparar com que os caras conseguiram fazer só da política. Compara com os que os caras têm. A sociedade não é boba, eu não tenho dúvida disso. Eu acho que os caras são revoltados com a população do Pará e ficam tentando dizer que… não, não foi o voto que nos elegeu, que foi o Cheque Moradia que me elegeu. Ora, quem me elegeu foi o voto. O que eles precisavam meter na cabeça é que existe uma aversão a eles pela forma como eles trataram a coisa pública nesse Estado. Seria mais fácil eles assumirem isso, pedirem desculpa para sociedade, pedirem desculpa para a população e tentarem fazer uma outra forma de política, que aí talvez eles tivesse chance de ganhar.

Por Dentro – A família Barbalho usa a máxima nazista da repetição das mentira…

Jatene – Eles insistem.. Primeiro em dizer que tudo que aconteceu nesse Estado foram eles que fizeram, o que é uma grande besteira, é uma grande mentira. Eu quero que ponha na balança o que foi que nós fizemos, o que foi que eles fizeram. Eu topo disputar por aí. Só que com uma diferença: eu digo que eu fui a ferramenta, mas quem fez foi a sociedade, a população. Eles dizem “eu faço”, “eu trago”, “eu sou”…

Por Dentro  – Qual a diferença na forma de fazer política entre o senhor e a família Barbalho?

Jatene – Quando a gente fala em diferença de postura política entre nossos projetos de poder, é importante para a sociedade ter isso claro, não é simplesmente um discurso isso, não. Eu desafio que alguém possa dizer que nos nossos governos – e aí eu incluo o governo do Almir Gabriel –, se tenha feito da perseguição política uma forma de imposição de vontade. Eu desafio que alguém possa dizer que nós fechamos uma empresa por retaliação, por perseguição, que a Sefa [Secretaria de Estado da Fazenda] processa a sua fiscalização conforme orientação do governador. Não. Então tem diferença sim, tem diferença na forma de conceber a sociedade, na forma de pensar a sociedade.

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