Kleysykennyson Carneiro A culpa é das estrelas

O convite chegou na caixa do gmail do Roberto. Todo discreto, pretinho básico ba-ba-do! Ele mandou pra todo mundo da firma. Os sacanas adoraram a coisa toda e ficaram de levar as esposas pra casa de shows em que a festa estava marcada. Entre os corredores, os comentários eram o mesmo. Ninguém sabia ao certo o que fazer. A festa era novidade pra todo mundo, mas a turma sabia bem o que ia rolar. A ansiedade era geral e nos corredores olhares maliciosos eram trocados com segundas, terceiras e até anais intenções. O chefe, com uma tara secreta pelo estagiário, liberou todo mundo uma hora antes do fim do expediente para que todos pudessem ir ao sex shop garantir as fantasias mais inusitadas.

 

Brinquedinhos e roupas de couro a parte, a festa estava linda. O coquetel de frutos do mar, champanhe e Viagra ficava em uma grande mesa no centro e você podia comer tudo o que o seu coração suportasse. Dis-far-ça que a crush vem vindo! Hora de agir com naturalidade. Ah, não! Ereção não! Mas também, nego, com tanto Viagra e ostra! Esperava o quê? Mas de forma incrível, a crush gostou! E perguntou o que havia de bom. Há resposta, nego, pra essa pergunta? O que você tem de bom?

 

O papo rola solto e você vê, ao fundo, os casais se formando. As esposas dos funcionários da firma se entregando a outros homens e mulheres sem o menor pudor. E os maridos, tarados, se entregando também para outros homens e outras mulheres. A festa das sensações invadiu a madrugada e o papo é cada vez melhor com a crush.

 

Vocês trocam Whats. Passam a se seguir no Instagram, se adicionam no Facebook. E curtem a presença um do outro. E a gritaria rola solta. E o cheiro do pecado invade a narina de vocês. E, pelo jeito, o desejo toma conta da carne e os beijos são inevitáveis. Os arquejos da sua alma, a pressa das suas mãos. O calor é inevitável.

 

E o dia já raiou e a confusão de signos e fluxos ao seu redor continua a acontecer. E você e a crush num instante belo de eternidade trocam fluidos e os corpos são um só. Pelo chão, o suor e você percebe que nunca foi tão feliz. Tudo liberado, todo desejo é sagrado, o pecado fica para a vida que vem depois daquele sempre de vocês.

 

E quando acaba, você quer dormir de conchinha e sonhar com amores impossíveis, impalpáveis, desacreditados. Quando tudo acaba, cada um vai para o seu lado. Alguns casamentos são desfeitos e outros renascem das cinzas. Tem gente que controla o ciúme e tem gente que entende que o prazer não é unilateral e que a física permite mais que dois corpos ocupando os mesmos lugares.

 

Você desliza os seus dedos pelos cabelos lisos da crush. Mas ela se levanta e vai embora sem olhar pra trás. Vestiu as roupas. Abocanhou um último camarão e se mandou. Discreta, básica! A-rrasa-do!

 

Todo mundo viu que você la-crou no meio da agonia do amor. E foi amor?

 

Você passa a chamar a crush no Whats a todo momento. Ela responde por educação ou nem isso. Ela te bloqueia em todas as redes. E o seu coração é divido em 33 mil pedacinhos. Tempo que durou o coito. Foram 10 horas de prazer absoluto e ela só deu as costas e sumiu.

 

Você volta ao lugar da festa e olha para o céu estrelado. Os ventos da noite doem as costelas e a alma de quem tem um amor não correspondido. O destino, personificação do acaso, aprontou das suas e despertou uma paixão de suruba.

 

E como viver depois de tanta sacanagem e paixão? O destino, sacana, trouxe a alma à tona e a alegria virou coisa fugaz. Das piores, essa era a maior armadilha e cair nela era um preço altíssimo.

 

Você passa a contar as horas agora pra próxima festa. A turma da empresa diz que não vai demorar. O chefe saiu do armário e já marcou até o casamento com o ex-estagiário, que agora é chefe de setor.

 

As voltas que a vida dá… Em tempo, na suruba todo mundo é o que é pra valer e não há máscaras, nem ternos. Cada um vive as agonias e as aleluias do seu jeito sacana, porém vivo, de ser feliz.

Comentários

Comentário