Mineradora estima que produção de minério de ferro chegue aos 390 milhões de toneladas em 2018

Depois de uma série de mudanças internas, a Vale está hoje em sua melhor forma desde que foi criada, disse nesta quarta-feira (17) o diretor de Relações com Investidores da mineradora, André Figueiredo, em reunião com analistas e investidores organizada pela Apimec. “Hoje, a Vale é mais competitiva do que os australianos, apesar da distância entre Brasil e China”, comentou. O executivo afirmou que a Vale entrou em 2018 em uma situação diferente, até mesmo com uma nova administração, que hoje tem como um de seus pilares estratégicos colocá-la como a maior geradora de valor aos acionistas em relação aos seus concorrentes. Figueiredo lembra que o ano começa com uma projeção do mercado de que o preço do minério de ferro deve cair, mas pondera que nos últimos dois anos, contudo, os valores foram mantidos na China a despeito das expectativas. Ele destaca que a empresa torce para que a estabilidade de preços se mantenha, isso porque não interessa volatilidade para o negócio de uma mineradora. Exemplificou que no projeto S11D, o maior da história da companhia, os investimentos começaram em 2010, quando os preços estavam em outro patamar. De acordo com Figueiredo, a Vale não fará investimentos em projetos que não geram retorno. Segundo ele, no passado, a Vale realizou muitos investimentos colocando na conta uma perspectiva futura melhor para os preços da commodity do que os vistos no momento, projeção que em níquel, por exemplo, não se confirmou. “Queremos melhorar desempenho otimizando a alocação de capital”, disse, na reunião da Apimec. Em níquel, destacou, a companhia irá manter o negócio, mas de forma saudável. A mineradora brasileira tem afirmado, desde o ano passado, que o objetivo para a operação de níquel Vale Nova Caledônia (VNC), que não tem geração de caixa positiva, é buscar um parceiro e que, se não for possível, até mesmo um fechamento da operação não seria descartado. A ideia para esse negócio, explicou, é “preservar a opcionalidade do negócio de níquel”, para caso, ocorra, uma elevada demanda pelo produto no futuro por conta do crescimento do mercado de carros elétricos. Se isso ocorrer, disse, a companhia estará pronta investir e até elevar sua produção, caso se observe que haverá retorno. Em relação ao carvão, Figueiredo comentou que a projeção é de que esse negócio tenha neste ano melhor resultado do que o anotado ano passado. A Vale espera terminar 2018 com uma dívida líquida da ordem de US$ 10 bilhões. Ao final do terceiro trimestre do ano passado o endividamento estava em US$ 21 bilhões. O diretor de Relações com Investidores da mineradora brasileira disse que a Vale quer ter o “menor endividamento possível”. Outra meta da companhia para este ano, segundo o executivo, é aumentar os dividendos aos acionistas. “A Vale gerará substanciais fluxos de caixa ao longo dos próximos três anos”, disse o executivo. Projeção da empresa é que em um cenário mais conservador, o preço da tonelada de minério de ferro na média em US$ 55 a tonelada e o preço da tonelada do níquel em US$ 10 mil, o fluxo de caixa acumulado de 2018 a 2020 deve ser de US$ 13 bilhões. Já em um cenário mais otimista, com o minério em US$ 65 a tonelada e o níquel em US$ 14 mil, esse valor sobe para US$ 25 bilhões. “Primeiro utilizaremos os recursos para desalavancar e em segundo para remunerar os acionistas”, afirmou Figueiredo. Ele lembrou que os investimentos da Vale seguirão baixos, mesmo se forem incorporados novos projetos. No final do ano passado, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, disse que a maior parte das vendas importantes de ativos da companhia já ocorreu e que, dessa forma, a desalavancagem será suportada pela geração de caixa da empresa. De acordo com Figueiredo, a Vale apenas atingirá uma produção no futuro de minério de ferro de 400 milhões de toneladas caso haja margem para isso. O executivo reiterou que o objetivo da empresa não são volumes, mas sim o retorno. A projeção da companhia é de que neste ano a produção de minério de ferro fique na casa dos 390 milhões de toneladas, alcançando 400 milhões de toneladas a partir de 2019. Os estoques de minério de ferro na China são elevados atualmente, mas os volumes são de insumo de baixo teor, que não são mais demandados. Segundo o diretor de Relações com Investidores da Vale, uma das principais metas do governo chinês, hoje, é reduzir a poluição e isso passa pelo uso cada vez maior de minério de ferro de alta qualidade, menos poluente. O executivo disse que o minério hoje estocado é da Vale e que a companhia tem utilizado os Valemax e os centros de distribuição na Ásia para fazer a blendagem do minério – ou seja, a mistura de insumos de baixo e alto teor, vindos da Sistema Sul e de Carajás respectivamente, no intuito de melhor o prêmio da venda do produto da Vale. Figueiredo disse que essa estratégia tem mostrado sucesso e afirmou que, para este ano, das 390 milhões de toneladas de minério de ferro previstas, 100 milhões devem ser de minério blendado. “Em qualquer nível de preços, esperamos prêmios”, disse. Segundo ele, nos últimos meses o prêmio que tem sido observado está entre US$ 15 e US$ 25 por tonelada. A percepção da Vale, tendo como suporte depoimentos já dados por representantes dos grandes acionistas, é de que não haverá uma venda desorganizada da vendas das ações detidas após o fim do período de bloqueio, o chamado lock-up, no fim do próximo mês, disse André Figueiredo. Segundo ele, a visão é que os acionistas que eram da Valepar – Previ, Mitsui, Bradesco e BNDES -, ao decidirem ceder o controle da companhia para transformá-la em uma “corporation” ao migrar para o Novo Mercado e converter as ações preferenciais em ordinárias, possuem “planos maiores para a Vale do que simplesmente a saída”. Em dezembro, na cerimônia de comemoração da migração da Vale para o segmento da B3 Novo Mercado, o presidente da Previ, que também é presidente do Conselho de Administração da Vale, Gueitiro Matsuo Genso, disse que hoje há plena harmonia entre os quatro acionistas e que não haverá saída desenfreada da Vale após o fim do lock-up. O executivo disse também que a Previ não venderá seus ativos a qualquer preço e nem fará qualquer movimento de forma desorganizada.
 Fonte: Jornal do Comércio

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