A COP30 está chegando, e com ela, promessas de um futuro mais verde. Mas, em meio à agitação diplomática, à organização de um evento global, e aos debates sobre a Amazônia, a voz de Jesus ecoa: “Não dêem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão, e aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão.”
É um pensamento incômodo, mas inevitável. O Brasil é um país de riquezas inestimáveis. A Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, é uma dessas pérolas. Ela regula o clima global, abriga uma biodiversidade sem igual e oferece um potencial incalculável para a ciência e a economia. A COP30, sediada em Belém, poderia ser o palco para o Brasil mostrar ao mundo não apenas sua riqueza natural, mas também sua capacidade de liderar a transição para um futuro mais sustentável.

No entanto, o que vemos? A alienação. Um povo que, em grande parte, vive em uma realidade distante da complexidade das mudanças climáticas. Preocupado com a sobrevivência diária, o próximo boleto, a violência na esquina e a corrupção que consome os recursos públicos, o brasileiro médio não se conecta com a pauta ambiental. A COP30, para muitos, é apenas mais um evento político, um show midiático. A pérola da sustentabilidade, da responsabilidade global, da preservação da vida na Terra, é jogada a um povo que a pisa sem sequer saber o seu valor.
Os porcos do povo são aqueles que não reconhecem a importância do que lhes é dado. Eles se alimentam de migalhas, de sensacionalismo e de distrações, enquanto a pérola da oportunidade, do desenvolvimento real e da esperança por um futuro melhor, fica lá, pisoteada na lama. Os políticos, por sua vez, continuam a vender a floresta, os minérios e o futuro em troca de votos e poder, prometendo um paraíso que nunca chega.
E o que acontece quando os porcos não valorizam as pérolas? Eles se voltam contra você. A sociedade se divide. Os que tentam defender o sagrado são dilacerados pela ignorância, pelo negacionismo, pela indiferença. A floresta arde, os rios secam e a riqueza escoa pelo ralo, enquanto a maioria do povo assiste, alienada.
A COP30 não é apenas um evento para políticos e diplomatas. É uma oportunidade para o Brasil. Mas, como podemos aproveitar essa oportunidade se o povo, em grande parte, não entende o valor do que tem em mãos? Como podemos defender o nosso tesouro se não o reconhecemos?
A parábola de Jesus não é sobre a superioridade de uns sobre os outros, mas sobre a falta de valorização. O Brasil tem em suas mãos a pérola da vida, mas, se não acordarmos para o nosso papel e a nossa responsabilidade, essa pérola continuará sendo pisoteada, e o futuro que ela representa se perderá na lama.
Afinal, a pérola não é o evento, mas o que ele simboliza. A pérola é a própria vida. E se não a valorizamos, a perdemos. O que você acha que precisa acontecer para que o povo brasileiro comece a valorizar essa pérola?
_Nádio Batista
• Teólogo, Phi B, Psicanalista e Pastor Luterano na Comunidade Cristã mosaico.

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