O sol já ia alto na Washington do final de 2025. O Salão Oval, palco de decisões de peso, parecia hoje um pouco mais leve, talvez pela inesperada presença de um cesto de vime. Não era um presente protocolar, nem um documento oficial, mas um punhado de pequenas joias negras, colhidas diretamente dos pomares brasileiros: jabuticabas.

Elas vieram do Brasil, enviadas pelo Presidente Lula, com uma mensagem simples, quase poética: “Coma estas, Presidente Trump. Elas têm o poder de adoçar o dia da gente.”
O Presidente Donald Trump, conhecido por sua retórica incisiva e por uma postura muitas vezes austera, olhou para as frutas. Pequenas, redondas, brilhantes. Não se pareciam em nada com as maçãs grandiosas ou as uvas sem sementes que costumava ver em sua mesa. Havia algo de rústico, de verdadeiro, naquelas esferas escuras.
Uma de suas assessoras, talvez um tanto curiosa, explicou: “Senhor Presidente, são jabuticabas. Uma fruta única do Brasil. Come-se com a casca.”
Trump pegou uma. A textura, ao toque dos dedos, era firme, mas macia. Ele a levou à boca, hesitante. A primeira mordida revelou uma explosão de sabor: um doce intenso, quase melado, contrastando com um toque levemente ácido da casca. Não era o amargo ou o agridoce que ele talvez esperasse da vida ou da política. Era uma doçura pura, honesta, que se desfazia na boca.
Ele pegou outra. E mais uma. O silêncio do Salão Oval foi quebrado apenas pelo leve estalo das cascas e pelo murmúrio de “Hmm…” que escapou dos lábios do presidente. Cada jabuticaba parecia desarmar um milímetro da tensão habitual, substituindo-a por uma sensação de bem-estar simples, quase infantil.
Lula, com seu gesto, havia enviado mais do que frutas. Havia enviado um convite. Um convite à leveza, à descomplicação, à redescoberta de que, por trás das grandes discussões e dos embates, existe uma doçura fundamental na vida que pode ser saboreada.
Naquele dia, os telejornais não reportaram nenhuma grande reviravolta na política internacional, nem discursos inflamados. Mas, talvez, nos bastidores da Casa Branca, um certo presidente tenha encontrado um novo e pequeno prazer. E quem sabe, a doçura inesperada da jabuticaba, aquela que vem de um lugar tão distante e diferente, não tenha plantado uma minúscula semente de uma doçura maior, capaz de suavizar arestas e abrir caminhos para um futuro um pouco mais gentil. A jabuticaba, afinal, tem essa magia: ela encanta pelo seu sabor, mas acende uma esperança no seu poder de transformar.
_Nádio Batista. É Militar da Reserva, Th, Phi, Psican e Pr Cristão Protestante.

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